O DIA QUE EU QUASE MORRI (FATO REAL) – PARTE 02

No último texto eu da saga eu me fodi. Um marginalzinho recém chegado na minha turma me jurou de morte por eu não ter permitido que ele afofasse a cara de uma menina com um soco, mas isso a gente já superou, né? Pois é, eu também tinha. Até porquê havia passado exatamente quatro anos depois: ESTOU LIVRE.

Ele morava em uma vila clássica da minha cidade, a fama dela como você deve imaginar é a mesma do cemitério de elefantes d’O Rei Leão. Havia visto ele algumas vezes durante o meu cotidiano enquanto esses quatro anos passaram, mas com as boas manobras que os valentões do colégio passam o primário inteiro te ensinando, você meio que aprende a passar invisível por algumas situações de risco.

Pois se passaram os quatro anos, e ele não era lembrado por mim fazia muito tempo. Eu estava feliz, estava calmo. Calmo e feliz como qualquer pessoa fazendo um churrasco tranquilo com os amigos. Estávamos entro aproximadamente 15 pessoas, alguns na cozinha fazendo maionese, outros na volta da churrasqueira, e eu era do time infeliz que bebia cerveja na rua. Lembro de quatro pessoas comigo na rua, dentre eles dois amigos meus de infância.
A gente ria, brincava, o e sempre. Até passar um carro com som no volume máximo. A música eu não lembro, mas era muito provável ser algum funk com batidão neurótico da época. Um dos meus amigos começou a dançar debochadamente, o carro passou por nós e parou uns 6 metros na frente.

Pensamos que o estilo lacraia do nosso amigo de dançar funk havia ferido o ego do motorista, que devia idolatrar uma canção tão digna. Na minha cabeça o carro ficou parado uns 10 minutos, mas acredito que não tenha levado nem um minuto para o malandro descer do carro:
– E aí, Lucas! Lembra de mim? – perguntou ele com um tom debochado e um sorriso escroto na boca enquanto arqueava a cabeça pra cima fazendo um “qualé” e sendo severamente ignorado por mim.

Meu brother com a maior ingenuidade do mundo pensou que eu não tinha visto ou ouvido e comentou “Olha lá, Myth. Teu amigo dando oi!”. Falei baixo e tenso “Ele não é meu amigo”.

REVOLVER CALIBRE 38

Nisso ele se aproximou puxando um revolver calibre trinta e oito. Conhecia bem, havia estourado a cabeça de muito zumbi no Residente Evil usando uma arma do mesmo tipo.
– Hoje a gente vai resolver o nosso assunto!
– Velho, fazem QUATRO ANOS! Deixa disso…
– Quem bate esquece, quem apanha nunca.
Maldita regra marginal. Maldito marginal. Maldita lei que proíbe pais de baterem nos filhos.

A cena era a seguinte: O vagabundo com a arma apontada para minha testa mandando eu baixar a minha cabeça, seguido por todos meus amigos. Obedecemos bonito, rápido, quase sincronizadamente. Chega ser engraçado ver como a força do cagaço faz com que ajamos rápido e imediatamente.
Me vi morto por um segundo, e sabe aquele lance da vida passar diante dos olhos? Acontece mesmo!

(CONTINUA)

Anúncios

2 responses to “O DIA QUE EU QUASE MORRI (FATO REAL) – PARTE 02

Leu? Então comenta, né!?

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s