Category Archives: Dia-a-Dia

Bianca

Aprender a conviver é fácil comparado com a dificuldade de lidar com o fato de não mais ter.

Hoje alguém que alegrou por pouco tempo se foi. Alguém que não pedia muito além de um bom carinho e comida.
Incrível como em tão pouco tempo a gente se apega a quem nos agrada, quem com sinceridade parece ter afeto por nós. Não era para ela estar aqui, ela seria doada. O afeto criado por ela falou mais alto e não permitimos o afastamento, seus latidos leves fariam falta se ela partisse.

Infelizmente a ironia do destino não permitiu, prematuramente tirando ela de perto da gente. E os latidos que até minutos atrás nesse minuto é um dos mais amargos silêncios.

Mesmo que falasse ela não entenderia, mas acho que em nosso convívio curto ficou claro que ela era muito amada, e a dor é só reflexo da falta que fará. Uma pena.

Perda

O momento que eu paro pra pensar na vida e fazer um balanço de como tudo anda é antes de dormir. Mas nessa madrugada o sentimento resultante dos pensamentos me tiraram da cama e me impulsaram a escrever.

Não quero dar uma de Capitão Planeta nem de Super Homem. Muito menos martelar mais do que já martelaram esse assunto, não mexi um dedo pra ajudar, não compartilhei nada no Facebook, não usei hashtag, apenas me reservei ao direito de não atrapalhar. Entretanto acho que esse incidente de Santa Maria mexeu um pouco comigo de alguma maneira.

Me peguei pensando em como estariam os pais ou a namorada do menino que morreu lá na boate. Assisti a entrevista com eles hoje no jornal do meio dia, complicado. Ele tinha ido no banheiro segundos antes de começar o incêndio, a namorada se salvou, ele não.

Não quero relatar as centenas de histórias de gente que partiu esse fim de semana que passou, esse não é o ponto.
Já imaginaram a diferença que você faz? Já pensou no modo que toca ou já tocou o coração das pessoas e o vazio que pode deixar? Otimistas maquiam a dor tentando convencer de que ela não dura pra sempre.

Mas sabe, tive apenas uma perda significativa até hoje, uma que ainda me fez encher os olhos de lágrimas ao escrever isso, meu avô. Por mais que a lembrança não seja constante, sempre tem os momentos em que ela vem e a dor ainda aperta. E só de pensar em passar por isso de novo, me bate do desespero.

Esses dias falei ou ouvi a frase “ninguém é insubstituível”, mas pense bem, você vai achar alguns que são.
bigode

Meus desejos de que a dor alivie rápido, pessoal de Santa Maria.

O DIA QUE EU QUASE MORRI (FATO REAL) – PARTE 02

No último texto eu da saga eu me fodi. Um marginalzinho recém chegado na minha turma me jurou de morte por eu não ter permitido que ele afofasse a cara de uma menina com um soco, mas isso a gente já superou, né? Pois é, eu também tinha. Até porquê havia passado exatamente quatro anos depois: ESTOU LIVRE.

Ele morava em uma vila clássica da minha cidade, a fama dela como você deve imaginar é a mesma do cemitério de elefantes d’O Rei Leão. Havia visto ele algumas vezes durante o meu cotidiano enquanto esses quatro anos passaram, mas com as boas manobras que os valentões do colégio passam o primário inteiro te ensinando, você meio que aprende a passar invisível por algumas situações de risco.

Pois se passaram os quatro anos, e ele não era lembrado por mim fazia muito tempo. Eu estava feliz, estava calmo. Calmo e feliz como qualquer pessoa fazendo um churrasco tranquilo com os amigos. Estávamos entro aproximadamente 15 pessoas, alguns na cozinha fazendo maionese, outros na volta da churrasqueira, e eu era do time infeliz que bebia cerveja na rua. Lembro de quatro pessoas comigo na rua, dentre eles dois amigos meus de infância.
A gente ria, brincava, o e sempre. Até passar um carro com som no volume máximo. A música eu não lembro, mas era muito provável ser algum funk com batidão neurótico da época. Um dos meus amigos começou a dançar debochadamente, o carro passou por nós e parou uns 6 metros na frente.

Pensamos que o estilo lacraia do nosso amigo de dançar funk havia ferido o ego do motorista, que devia idolatrar uma canção tão digna. Na minha cabeça o carro ficou parado uns 10 minutos, mas acredito que não tenha levado nem um minuto para o malandro descer do carro:
– E aí, Lucas! Lembra de mim? – perguntou ele com um tom debochado e um sorriso escroto na boca enquanto arqueava a cabeça pra cima fazendo um “qualé” e sendo severamente ignorado por mim.

Meu brother com a maior ingenuidade do mundo pensou que eu não tinha visto ou ouvido e comentou “Olha lá, Myth. Teu amigo dando oi!”. Falei baixo e tenso “Ele não é meu amigo”.

REVOLVER CALIBRE 38

Nisso ele se aproximou puxando um revolver calibre trinta e oito. Conhecia bem, havia estourado a cabeça de muito zumbi no Residente Evil usando uma arma do mesmo tipo.
– Hoje a gente vai resolver o nosso assunto!
– Velho, fazem QUATRO ANOS! Deixa disso…
– Quem bate esquece, quem apanha nunca.
Maldita regra marginal. Maldito marginal. Maldita lei que proíbe pais de baterem nos filhos.

A cena era a seguinte: O vagabundo com a arma apontada para minha testa mandando eu baixar a minha cabeça, seguido por todos meus amigos. Obedecemos bonito, rápido, quase sincronizadamente. Chega ser engraçado ver como a força do cagaço faz com que ajamos rápido e imediatamente.
Me vi morto por um segundo, e sabe aquele lance da vida passar diante dos olhos? Acontece mesmo!

(CONTINUA)

Eleições – você concorda?

Hoje vamos queria tratar com vocês de um assunto bem sério mas de forma rápida. Eleição!
Você acha certo que é certo você ser obrigado a ir votar? Acha que é vantajoso de fato ter uma urna eletrônica? Se alguma das duas perguntas feitas por mim foi respondida com sim, gostaria de convidá-lo para uma breve reflexão comigo (Se você respondeu “não”, eu acharia ótimo que participasse também).

Você, cidadão brasileiro tem o dever de votar em um domingo proposto, sem escolha de ir ou não à urna. Já os deputados podem se abster de votações.
Nós fomos obrigados a escolher entre eles para que nos representassem, ganhassem um gordo salário e a mínima exigência feita à eles é que entendam o suficiente da matéria em votação e votar SIM ou NÃO, mas com o direito de tirar o corpo fora malandramente. Isso, amigo, beneficia o político sujo. O que compra voto.

Com o cancelamento da obrigatoriedade do voto poderíamos ter melhoras significativas em alguns pontos. Fazer com que candidatos convençam os eleitores com suas ideias políticas, convencer a ponto de fazer com que o eleitor realmente querer se deslocar do conforto da sua casa e abrir mão de passar uma parte do domingo com a família para ir até lá botar fá no candidato X.

Você realmente acredita que a urna eletrônica é um “avanço na festa da democracia brasileira”?. Você NÃO pode nem ao menos conferir se seu voto foi realmente computado! Nós temos TSE, que é quem organiza as eleições, fiscaliza, contém as urnas. É um sistema totalmente fechado.

Você realmente acha que isso tá certo? Pense, e tente debater isso com alguém!

O DIA QUE EU QUASE MORRI (FATO REAL) – parte 01

Sempre fui um cara na minha, principalmente quando o ambiente não me favorecia. O ano era 2007 e o ambiente não me favorecia. O que eu quis dizer com isso? Simples, estava em uma sala onde eu mal conhecia ninguém.

Eu tinha um colega que não parecia compartilhar dos mesmos costumes que eu, ele não se acoava em ambientes desfavoráveis e sim tentava se impor intimidando os demais. Sempre desaprovei atitudes do tipo.
Veja bem, chegou no colégio com menos de uma semana nos corredores já se ouvia boatos de que os garotos de duas séries acima iam “quebrar” a cara dele. Não tinha opinião formada sobre o assunto, e logo não me pendi para sua defesa, nem torci para que sua cara fosse partida em muitos pedaços.

Foi então que em uma troca de aula, sem professor, o moleque sem motivos reais começa a bater boca com a menina que sentava ao meu lado (Em uma explicação rápida, a sala era dividida em 6 fileiras de classes. Eu sentava na primeira fileira, a menina na segunda e o cara na sexta. Ou seja, três fileiras de classes separavam a jovem do moleque).
A discussão foi esquentando, as vozes subindo o tom até que ela soltou um: “Cala a sua boca, seu filho da puta.” – FILHO DA PUTA – naquele momento o ódio tornou-se notório nos olhos do pequeno marginal.
Nunca entendi porque as pessoas em geral se ofendem tanto ao serem chamadas de filho da puta, a ofensa claramente não tem ligação alguma à mãe do xingado em questão. Mas digamos que ele tinha algumas dificuldades com problemas menos complexos que esse e seria um abuso da minha parte exigir que o guri entendesse que a ofensa não fora proferia a sua imaculada mãe.

O marginalzinho se ergueu em fúria após receber tais palavras e caminhou em direção à minha colega com os punhos cerrados, chegou do lado dela, ergueu a mão. Caras. Eu não pensei, eu juro que foi involuntário, quando dei por mim já havia dado a volta na classe da menina e jogado o garoto no chão.
Foi então que recebi as frases que mudariam e atormentariam a minha vida por alguns anos: “Que isso, Lucas? Tu vai te arrepender por isso!” – E era claro que eu ia. A atitude foi nobre? Claro que foi. Mas uma coisa que aprendi desde cedo é que não se coloca a cueca por cima da calça e se combate o crime se você não for Kryptoniano.

Encerrei o problema da menina que eu mal conhecia e causei um pra mim, que eu conhecia (e a partir daquele momento não sabia mais por quanto tempo ainda ia conhecer) muito bem.

(CONTINUA)

Me vê a conta aí!

Não queria ser beatificado postumamente, muito menos que meus erros fossem esquecidos.  Queria que todos tentassem lembrar aquela decepção que causei, do choro que volta e meia retorna no dia que você não tinha absolutamente nada para fazer e resolveu pensar em mim.
Já botei o pé para cair, já mastiguei seu coração, já te menti, ou simplesmente marquei e não fui. Não importa, mas não esqueça.

Mas com tudo isso vasculhe naquelas coisas que eu te disse se nada faz sentido realmente, se eu sou um completo errado e pese se o sugerido vale ser tentado ou deve ir embora comigo.  Lembre do porque a gente esteve junto. Foi bastante tempo? Você gostou do nosso convívio?
Agora sua mente será meu SAC, e lá você pode reclamar e elogiar todos os meus serviços.
Eu te fiz sorrir alguma vez? Alguma vez você só sorriu por me ver? Dividimos idéias, formamos novos pensamentos com nosso tempo e acreditamos em coisas que só fazem sentido pra gente.

Até porque se pensarmos em tudo o que temos deve fazer sentido só para gente em um mundo desses.
Sete dias, dos quais com sorte você trabalha 5 para folgar 2. Cada dia desses é formado por 24 horas, das quais no mínimo 8h são de trabalho. Lhe restam 16h, que se você tem um sono saudável vão diminuir para 10h. Este foi um cálculo besta e otimista em relação ao seu emprego e tempo gasto. Ah, rapaz… O ano tem 12 meses, você trabalha 11 deles e ganha umzinho para fazer o que quiser da sua vida.


Desculpe ter estragado tudo no final de novo, falha nossa!

Vivemos pouquíssimo tempo em relação à esfera de fogo resfriada que nós habitamos, ou em relação as tartarugas.
Ah, as tartarugas. Nunca vi nenhuma de terno, ou tendo reuniões. Pouco se importam que amanhã é domingo, porque elas não trabalham na segunda. Não recebem pagamentos, nunca assistiram o final de LOST, e nem notaram o dólar subiu. Seria esse o segredo da longevidade?
Não, provavelmente. Nunca vi meu cachorro lendo o jornal também.

O Melhor Cego É O Que Não Usa Os Teus Olhos

“Tu só pode estar cego!”
É comum ouvir isso de alguém quando apresentamos um ponto de vista diferenciado do autor da frase acima.  As pessoas têm certo problema em aceitar que você não pensa daquela maneira e que, de forma alguma concorda com o que foi dito. Todos tempos, eu tenho, e sua mãe também.

Não digo que o certo é sempre o que ouve a frase e não o que a profere, mas é uma simples questão de pontos de vista. Cabe simplesmente a cada um de nós medirmos se é aceitável tamanha diferença ou se é melhor deixar de lado aquela pessoa para que morra em um limbo de esquecimento mental no qual sua existência se torne tão irrelevante que passe a não acontecer em sua vida.

Recentemente aconteceram dois fatos que me fizeram pensar nisso de forma mais ampla, eu fui o alvo e o artilheiro dessa frase. Ouvir ela sem argumentos que a sustentem é tão ruim quanto ouvir tendo fatos que te prove e faça realmente pensar sobre.
Não vou explicar nenhum dos dois ocorridos aqui, também nem faz cabimento eu tornar este blog algo tão pessoal.

Este foi um comentário rápido e letal. Só pra não passar em branco, quase uma anotação gigante. Então, tchau!